" A informação se transmite, o conhecimento é adquirido através de informações."concatenado por Brenda

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Empréstimos linguísticos e Estrangeirismos. Eles mordem?

             O empréstimo linguístico ocorre quando uma língua integra uma palavra existente em outra língua, sendo que a palavra não sofre grandes alterações e mantém o mesmo sentido.


"Em matéria de língua, não há propriedade privada: tudo é socializado."(Roman Jakobson)


Mediante as palavras deste pensador russo que, posteriormente se tornou um dos maiores linguístas do séc. XX, de imediato as associamos ao caráter dinâmico da linguagem. A medida em que o tempo passa, a língua se modifica, tornando as relações humanas muito mais ativas e complexas. Não pensem que tal fato denota algo novo, pois desde os tempos mais remotos ele denota uma representatividade acentuada. Tal exemplo pode ser visto em: abba (Aramaico) - Ábade / hyprokrisis (grego antigo) - Hipocrisia.

Na língua portuguesa, alvo da nossa discussão, aponta-se incidência de palavras advindas de línguas estrangeiras: célticas, germânicas e árabes durante a sua formação na península Ibérica. Logo após, com o advento das grandes navegações, empréstimos de língua européias, africanas e americanas tiveram seu destaque.

Atualmente, o que existe de mais natural, é a utilização de palavras provenientes do inglês norte-americano, em sua forma original ou aportuguesada. Sim, aportuguesada. Porque, de tão recorrente, até a grafia foi modificada. Ou seja, não há apenas uma mudança fonológica, mas também uma mudança gráfica. Note que palavras com xampu, bife, futebol, são faladas tão corriqueiramente que acabamos concebendo-as como realmente portuguesas. 

Toda essa integração idiomática vem gerando muitas discussões, análises e... pasmem, projeto de lei.
Aldo Rebelo quis proibir os estrangeirismos sob a alegação de que "palavras consolidadas estão sendo substituídas por estrangeirismos". Alguém deveria avisar para o senhor Aldo que, política se resolve  (ou deveria) com Lei, mas o fenômeno da língua não tem regras. Certamente ele não estudou as dicotomias de Saussure e não sabe, por exemplo, que fala é um exercício individual, de inteligência e vontade e que não se rege por lei do senado. Visse? Ah, Saussure, Saussure..
 

(Aquela tirinha ali, deveria ser aqui, mas eu fiz de tudo... eu cliquei, arrastei, mudei o tamanho, a cor, a forma, a procedência, falei mal da quinta geração dela e ela não ficou aonde eu queria. Pois muito bem, dona Tirinha, eu sei digitar)

"- Ema vê uma mesa na sala de estar. Mamãe, o que é sala de estar?
- Living.
- Ah, bom. Afinal, por que não escrevem esses livros na língua da gente?"
(Mafalda - Quino)




Mas, afinal, porque usamos o empréstimo linguístico?

O empréstimo nasce, principalmente, quando não temos um termo ou expressão para designar algo e, surge a necessidade de adotar um termo de outra língua. Segundo Dubois, o empréstimo linguístico é "Quando um falar A usa e acaba por integrar uma unidade ou um traço linguístico que existia precendentemente num falar B e que A não possuía. O condicionamento social para os empréstimos é o contato entre povos de línguas diferentes, o qual pode ser por coincidência ou contiguidade geográfica, ou, à distância, por intercâmbio cultural em sentido lato."

Há, no entanto, uma diferença entre empréstimos linguísticos e estrangeirismos.

É o que acontece com Iceberg. Não existe, na nossa língua, uma palavra que nomeie o referido fenômeno. Assim, iceberg é um estrangeirismo, porque não sofreu nenhuma adaptação, seja fonética ou fonológica, ao português falado no Brasil. Porém, na palavra stress, que também surge para nomear algo novo, nesse caso uma doença moderna, ocorre um empréstimo. Nessa palavra, acontece uma adaptação a língua portuguesa, recebendo um grafema -e  no início e no fim do vocábulo, já que não existem palavras na língua portuguesa iniciadas com o grafema -s, não seguido de grafemas que representem fonemas vocálicos e nem palavras terminadas em -ss. E note que, quando usamos a palavra stress, usamos também suas derivações:


Exemplo conhecidíssimo entre todos os estudantes:


"Vixe, hoje essa professora veio estressada."
"O jeito como ela fala me estressa."

Entendeu?

No final das contas, essa interação de empréstimos ou estrangeirismo, trouxe a vantagem da universalização. Com toda essa troca, a linguagem enriquece e a visão de mundo também. No próximo post, trarei áreas em que o estrangeirismo e os empréstimos foram vitais, como na informática.

Bom, pra concluir, hoje eu tive um dia dark. Porém, postar aqui me deixou muito, muito, light... Tô num relax só.

Quando eu puxar meu carrinho pra casa, vou planejando meu happy hour.


Até mais,

Cheirinhos!




Melzinha.


jessy_jp1234@hotmail.com
@jessiely_soares




Empréstimos linguísticos, Estrangeirismos, Linguística, Saussure, Língua, langue, Fala, Parole.

3 comentários:

  1. otimo texto, parabens... Ass: um professor de portugues.

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  2. Muito bom, ajudou bastante.

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  3. Ótimo texto, adorei, apesar do conteúdo sério, você soube colocar humor nela, está de parabéns.

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